Júri do acusado de planejar o crime acontece nesta quinta-feira na capital. Nove pessoas já foram sentenciadas; crime ocorreu em 2012

“A prova é muito forte contra ele. Vamos mostrar essas provas aos jurados e pedir a condenação pela prática dos estupros e também dos homicídios”, declarou o promotor Francisco Sarmento, responsável pela acusação de Eduardo dos Santos Pereira. O réu é apontado como sendo o mentor e principal executor do crime que ficou conhecido como Barbárie de Queimadas, município localizado no Agreste da Paraíba. O crime aconteceu em
fevereiro de 2012, quando cinco mulheres foram estupradas e duas delas assassinadas após reconhecerem os agressores. Outros nove envolvidos no caso já foram julgados e setenciados.
Eduardo dos Santos vai a júri popular nesta quinta-feira (25), às 14h, no 1º Tribunal do Júri deJoão Pessoa, no Fórum Criminal. Um telão será disponibilizado para a transmissão ao vivo do julgamento, no 6º andar do Fórum. O G1 também entrou em contato com o advogado de Eduardo, Harley Hardemberg, mas ele preferiu não adiantar a tese da defesa por ser um “júri difícil”.
A expectativa de Francisco Sarmento é de que ele seja condenado por todos os crimes pelos quais está sendo acusado e que seja condenado a uma pena alta. “Foi um crime de uma violência inacreditável. Dois homicídios triplamente qualificados e cinco estupros. As qualificações são pelo motivo torpe, pela crueldade, pela impossibilidade de defesa das vítimas e por ter sido praticado para encobrir outro crime”, explicou o promotor.
Seis homens - Luciano dos Santos Pereira, Fernando de França Silva Júnior, Jacó Sousa, Luan Barbosa Cassimiro, José Jardel Sousa Araújo e Diego Rêgo Domingues - foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro. Eles cumprem penas entre 26 e 44 anos de prisão em regime fechado no presídio de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa. Enquanto aguarda julgamento, Eduardo Santos também cumpre prisão preventiva no PB1.Três adolescentes também foram julgados e sentenciados a cumprir medidas socioeducativas no Lar do Garoto. Eduardo dos Santos, por ser considerado o mentor dos crimes, será julgado em júri popular. O caso foi transferido da comarca de Queimadas para João Pessoa após solicitação do Ministério Público e da defesa do acusado. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça entendeu que essa determinação permite uma decisão imparcial, uma vez que os jurados não são da cidade onde o crime aconteceu.
Além das acusações de estupro, cárcere privado, lesão corporal e formação de quadrilha, Eduardo está sendo acusado isoladamente também por duplo homicídio e posse ilegal de arma.
Relembre o caso
No dia 12 de fevereiro de 2012, cinco mulheres foram estupradas e duas delas - a professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos - foram assassinadas na cidade de Queimadas, no Agreste da Paraíba. Elas estavam em uma festa de aniversário em uma casa com dez homens.
Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, os estupros foram planejados pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam chamado amigos para abusar sexualmente das mulheres convidadas para a festa de aniversário de Luciano. Segundo informações contidas no processo, o estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.
Os irmãos teriam simulado a chegada de assaltantes na casa e usado máscaras e capuzes para não serem reconhecidos. Duas das vítimas, no entanto, teriam conseguido reconhecer as pessoas que as violentavam e, por isso, foram tiradas da casa e executadas. Michelle foi morta com quatro tiros em uma rua central da cidade e Isabela foi assassinada com três tiros na estrada para Campina Grande.
No dia 12 de fevereiro de 2012, cinco mulheres foram estupradas e duas delas - a professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos - foram assassinadas na cidade de Queimadas, no Agreste da Paraíba. Elas estavam em uma festa de aniversário em uma casa com dez homens.
Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, os estupros foram planejados pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam chamado amigos para abusar sexualmente das mulheres convidadas para a festa de aniversário de Luciano. Segundo informações contidas no processo, o estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.
Os irmãos teriam simulado a chegada de assaltantes na casa e usado máscaras e capuzes para não serem reconhecidos. Duas das vítimas, no entanto, teriam conseguido reconhecer as pessoas que as violentavam e, por isso, foram tiradas da casa e executadas. Michelle foi morta com quatro tiros em uma rua central da cidade e Isabela foi assassinada com três tiros na estrada para Campina Grande.
'Manifestações extremas do machismo'
A Marcha Mundial das Mulheres considera casos de estupros coletivos “manifestações extremas do machismo”, conforme publicado no site do grupo. O movimento acompanha o caso do estupro coletivo de Queimadas desde o início e informou que verificou relatos constantes de uma cultura de violência combinada com silêncio e medo em Queimadas.
“Exemplo disso é que ainda hoje as famílias das vítimas são hostilizadas na cidade por pessoas ligadas aos autores do crime. Existe um discurso violento e depreciativo que busca legitimar essa barbárie, ao sugerir que as vítimas fossem prostitutas ou que mereceriam o acontecido por simplesmente terem comparecido à suposta festa de aniversário num domingo à noite”, diz o texto.
O grupo ainda faz questão de lembrar o caso da estudante Ana Alice Macedo, de 16 anos, que passou cerca de 50 dias desaparecida e foi encontrada morta em 2012. A adolescente também era de Queimadas. A Marcha Mundial das Mulheres pede celeridade no caso, uma vez que o júri do acusado de violentar e assassinar a estudante ainda não foi marcado.
A Marcha Mundial das Mulheres considera casos de estupros coletivos “manifestações extremas do machismo”, conforme publicado no site do grupo. O movimento acompanha o caso do estupro coletivo de Queimadas desde o início e informou que verificou relatos constantes de uma cultura de violência combinada com silêncio e medo em Queimadas.
“Exemplo disso é que ainda hoje as famílias das vítimas são hostilizadas na cidade por pessoas ligadas aos autores do crime. Existe um discurso violento e depreciativo que busca legitimar essa barbárie, ao sugerir que as vítimas fossem prostitutas ou que mereceriam o acontecido por simplesmente terem comparecido à suposta festa de aniversário num domingo à noite”, diz o texto.
O grupo ainda faz questão de lembrar o caso da estudante Ana Alice Macedo, de 16 anos, que passou cerca de 50 dias desaparecida e foi encontrada morta em 2012. A adolescente também era de Queimadas. A Marcha Mundial das Mulheres pede celeridade no caso, uma vez que o júri do acusado de violentar e assassinar a estudante ainda não foi marcado.
G1

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